26 de nov de 2017

À Flor da pele

Estás aqui, bem à flor da minha pele...  
Minha dor prateia tua cor,
de neon, de luar...
Minha transe é o prazer que me gera.
Que me transforma em rosa púrpura
E me despetala, arranca-me os espinhos.
Minhas lágrimas lavam meus encantos.
Estás bem aqui à minha frente
A plantar sonhos em meus olhos
Que vejo daqui de cima,
Do alto dos meus devaneios
Onde estás cativando-me
Com palavras, gestos e carícias
Que me adormecem...
Para esquecermos as velhas fantasias,
Os velhos dissabores e ilusões
Que agora jazem no passado.
Estás aqui, bem à flor da minha pele...
E és verdade, meditação, fé!


Madalena Gomes
João Pessoa, PB
08.02.2008


 Escravos do passado


Difícil tempo... Sobrevivo!
Escaladas montanhas que ultrapassam limites.
Entender o ego enfermo de alguém que escraviza um ser pelo bel prazer de ser dono de alguém é um desafio que, em sã consciência não é possível.
Camuflado de amor, repleto de promessas o coração ofegante tem garras envoltas em carícias, a boca embriagada de beijos ardentes esconde a rouquidão dos sussurros vindos da mente que inebria-se de temores.

Difícil tempo... Sobrevivo!
Montanhas belas que escondem vulcões adormecidos...
Conseguir entender de que são feitos os laços que atam os corpos, envolvem, amedrontam como se o pensar não contasse, sem voos, sonhos ou desejos...
Liberdade para amar... Nem se sabe o que é isso!
Às vezes não se sai do passado que tortura a alma e ultrapassa-se os limites do desentendimento. A mente bloqueia-se para a vida e passa-se a viver numa ilusão. E o desejo de permanecer é tão forte que os pés fincam-se nas pedras que o próprio coração criou. Esvazia-se, tortura-se!
Que pena, não há socorro nem promessas, é tudo em vão, preso nos vãos da vida que passou.

As mãos cerradas acenam trêmulas...
Não há abraços de alma, há que serem com preços altos!
Não há beijos ardentes, apaixonados; há que serem bem cobrados e... bem pagos!
"Você não pode pensar... Você me pertence... Eu dito as regras!"

Madalena Gomes
24.11.2017