12 de jan de 2018

Desertos



Não é o vazio que dói                         É essa plenitude da ausência
Da distância infinita...
Que se criou do nada intencional.

Não é o transcender do ilusório, 
o vazio...
É o transbordar das noites sem ti
É a espera dos dias infindos
E os amanheceres cheios de recomeços iguais.

Não é a fugaz beleza do encantamento
Que machuca, que se rebela no peito
É a impossibilidade do haver
O caminhar lento e solitário rumo ao acaso.

Como vultos incoerentes, obstinados
Fazendo-me crer no inexistente
Não é o vazio que dói
Mas, tudo o que se faz vazio, deserto!


Madalena Gomes
João Pessoa, Pb.
03.01.2018

4 de jan de 2018

Vamos Vida...!

O Livro está ali na praia, aberto
folhas ao vento, vão e voltam
o que temos para o agora?
folhas em branco, reluzentes!

Vamos vida, escrever-lhe algo!
Não as deixemos em branco, vazias!
Vamos falar da nossa solitude
e do amor que transborda rumo ao mar,
dos meus rios perenes de carinho e paz.

D'outros abraços, quiçá, inteiros
D'outros beijos de alma, quentes e lúcidos
D'outros cheiros, de mar, talvez
Que nos deixem vivas!

Sem o cerco da morte
sem mentiras carentes
ou a inquietude da loucura
Vamos, vida! Nos surpreenda...
Com o amor que temos, que somos!

Escreva-nos uma bela história de amor!

Madalena Gomes
João Pessoa, Pb
03.01.2018

3 de jan de 2018

Sonhos

Volta e meia estou dentro do teu sonho.       
Não quero... Mas, me transportas e, amo!
Meu coração não pulsa, dança alegremente.
És mistério e suavidade, mas há arrojos de
sentimentos e gestos também.
Teus sonhos, indeléveis, me fazem sonhar
que sou pássaro que voa para ti.
As palavras... Indizíveis, apenas sentimos
o coração em todas as suas performances
dos momentos que criamos.
... E tudo é magia, beleza, cor e perfume!
Amo-te como amo a Primavera e dela me visto
para perfumar-te!
Como necessito do sol para aquecer-me a alma
em noites de inverno e solidão.
Amo-te como amo o mar banhado de estrelas
a cantar e dançar para nós!
Nossos instantes florescem nos sonhos que criamos,
eternos, doces...
Fazes me apaixonar por tudo, todos os dias...
E é mágico, divino!
Cada grão de areia da praia é um olhar quente
e sedento um do outro para nos sentirmos vivos...
Aninho-me em teus braços para teus abraços...
Não quero acordar!

Madalena Gomes
João Pessoa, Pb
26.12.2017

23 de dez de 2017

Cheiros de Paixão

Senti o cheiro de ervas doces   
Quando pensei em ti...
Senti o perfume de incenso
Quando ouvi tua voz a recitar 
Poemas de saudade e amor.
Quis voar no tempo que me prende e me gasta
Que me distancia do teu olhar
E, te buscar, te tocar...
Ver-te no banho,
água fresca a escorrer 
pelos teus montes, desejar-te...
Fechar os olhos e sumir em teus abraços fortes.
Desvendar teus enigmas
E sufocar teus amores sofridos, passados!
Quero ser um pássaro livre e desgrenhado
Sobre o mar a voar para ti, sem limites!
Faça-me viva, tira-me do sonho
Sejamos a magia do presente, vivo!
Levemo-nos para o futuro e nos amemos!

Madalena Gomes
João Pessoa, Pb
21.12.2017

15 de dez de 2017

Súplica

Vem cá,
Escreve em meu corpo a tua dor,
o teu apreço, o teu silêncio.
Vem cá,
Enxuga o pranto triste e sente meu hálito quente
ofegante, sedento do teu beijo.
Esquece a loucura, cura tua aura negra
e essa espera que a escurece.
Voa o sonho de ser, sente a dádiva de amar!
Vem cá,
Traz a tua brisa adormecida pelos furacões
da loucura, essa que me afasta, me amedronta
Toma em tuas mãos meu coração triste e só,
embala-o que a minha dor é choro e desalento
de espera, de procura.
Vês meu sorriso amarelecido?
Acaso o olhar sem brilho também é reflexo
do luar em noite de chuva.
Há sol e luar em meu canto;
sol de inverno, lua de outono...
Há cheiros amenos de paixões adormecidas
Ah, tudo que reflito é teu...
Me deixa ser teu apelo,
Vem cá!

Madalena Gomes
Dezembro/2017

Foto: Xandy Santos
Portugal

26 de nov de 2017

À Flor da pele

Estás aqui, bem à flor da minha pele...  
Minha dor prateia tua cor,
de neon, de luar...
Minha transe é o prazer que me gera.
Que me transforma em rosa púrpura
E me despetala, arranca-me os espinhos.
Minhas lágrimas lavam meus encantos.
Estás bem aqui à minha frente
A plantar sonhos em meus olhos
Que vejo daqui de cima,
Do alto dos meus devaneios
Onde estás cativando-me
Com palavras, gestos e carícias
Que me adormecem...
Para esquecermos as velhas fantasias,
Os velhos dissabores e ilusões
Que agora jazem no passado.
Estás aqui, bem à flor da minha pele...
E és verdade, meditação, fé!


Madalena Gomes
João Pessoa, PB
08.02.2008


Escravos do passado

Difícil tempo... Sobrevivo!                                  Escaladas montanhas que ultrapassam limites.
Entender o ego enfermo de alguém que escraviza um ser pelo bel prazer de ser dono de alguém 
é um desafio que, em sã consciência não é possível.
Camuflado de amor, repleto de promessas o coração 
ofegante tem garras envoltas em carícias, 
a boca embriagada de beijos ardentes esconde 
a rouquidão dos sussurros vindos da mente que inebria-se de temores.

Difícil tempo... Sobrevivo!
Montanhas belas que escondem vulcões adormecidos...
Conseguir entender de que são feitos os laços que atam os corpos, 
envolvem, amedrontam como se o pensar não contasse, sem voos, sonhos ou desejos...
Liberdade para amar... Nem se sabe o que é isso!
Às vezes não se sai do passado que tortura a alma e ultrapassa-se 
os limites do desentendimento. A mente bloqueia-se para a vida 
e passa-se a viver numa ilusão. E o desejo de permanecer é tão forte 
que os pés fincam-se nas pedras que o próprio coração criou. Esvazia-se, tortura-se!
Que pena, não há socorro nem promessas, é tudo em vão, preso nos vãos da vida que passou.

As mãos cerradas acenam trêmulas...
Não há abraços de alma, há que serem com preços altos!
Não há beijos ardentes, apaixonados; há que serem bem cobrados e... bem pagos!
"Você não pode pensar... Você me pertence... Eu dito as regras!"


Madalena Gomes
João Pessoa, Pb
24.11.2017